segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

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Com o tempo, parece que as palavras perdem o sentido, ou então foi você que perdeu o jeito de usá-las mesmo. Perdemos o controle de nossas vidas, coisas desagradáveis acontecem, e esperamos que da mesma forma, coisas agradáveis venham a acontecer, e no entanto, elas não acontecem. Você traça seus planos, faz cada traço com o maior cuidado, milimétrica e estratégicamente projeta os seus sonhos, e quando percebe, o papel rasgou, se perdeu, seus planos foram esquecidos, também se perderam e se rasgaram junto ao papel onde estavam traçados. E as pessoas com quem você compartilhava seus sonhos, suas vontades e seus projetos? Elas já não têm mais tempo pra te ouvir, estão colocando os planos delas em prática. E você, faz o que agora? Escreve. Escreve mesmo que as palavras tenham perdido o sentido. Ah, e aquele amor que você espera que aconteça, e que busca tanto? Ele se perdeu, junto aos sonhos e planos traçados naquele papel que se rasgou. A esperança cansou de esperar, e você cansou de acreditar em contos de fada, e em comédias românticas que sempre acabam bem, e ai você entende que amor verdadeiro é aquele que os seus pais te oferecem. E então mais uma vez você sai na rua, vê aquele casal feliz, ou ainda, vê aquela família feliz, e decide enfim, parar de idealizar um lar, ao lado de um marido e filhos, e chora  por saber que a probabilidade de possuir um, é menor que um grão de areia. E volta pra casa, pega um pedaço qualquer de papel, e volta a traçar planos, sem marido, sem filhos, sem lar, só com você mesma, porque sabe que vai ser assim sempre, porque a gente nasce e morre sozinho, e porque um dia as palavras voltam a fazer sentido, mesmo quando nossas ações já não fazem.   (Gisleni)